CAUSO: A BRIGA DO PERIQUITO
Entre as histórias mais curiosas transmitidas pela tradição oral do município de Equador está a famosa Briga do Periquito, um causo que atravessou gerações e continua sendo lembrado pelos moradores mais antigos.
Conta-se que, quando a cidade ainda era apenas um pequeno povoado, o lugar era conhecido como Periquito. O nome teria surgido em razão da grande quantidade desses pássaros que habitavam a região e cruzavam diariamente os céus, voando de uma serra para outra em busca de água e alimento. O voo dos bandos de periquitos, acompanhado de seu característico barulho, fazia parte da paisagem e acabou dando identidade ao povoado.
Naquela época vivia no local uma senhora muito conhecida chamada Dona Maria. Simples, acolhedora e bastante popular, ela mantinha uma pequena venda onde comercializava bebidas, refeições e oferecia descanso aos tropeiros e viajantes que cruzavam a região. Seu estabelecimento tornou-se um importante ponto de encontro, e muitos passaram a se referir ao povoado, de forma bem-humorada e até um pouco pejorativa, como "o Periquito de Dona Maria".
Certa ocasião, Dona Maria resolveu promover um grande forró em sua casa de taipa, de chão batido, como era comum nas festas do sertão. A animação tomou conta da noite, mas, em meio à música, à bebida e à multidão, iniciou-se uma enorme confusão. A briga envolveu diversos participantes, houve troca de agressões e, segundo os relatos, até o uso de facas e outros instrumentos cortantes.
No dia seguinte, o subdelegado da localidade — que, de acordo com documentos históricos recentemente encontrados, provavelmente era um importante fazendeiro da região — convocou Dona Maria para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.
Sem muita instrução e acostumada à linguagem simples do povo sertanejo, ela tentou explicar o episódio da única maneira que sabia. Quando o delegado perguntou o que havia acontecido, Dona Maria respondeu:
"Olhe, seu delegado, nasci no Periquito, no Periquito me criei, estou de cabelo branco no Periquito e nunca tinha visto um rolo tão grande como o de ontem à noite."
Diante da resposta inesperada e da simplicidade da depoente, o delegado, sem saber muito bem como continuar o interrogatório, apenas respondeu:
"Pode ir embora, Dona Maria. A senhora está dispensada."
Se o episódio realmente aconteceu dessa forma, ninguém sabe ao certo. Não existem registros oficiais que comprovem a história, mas ela permanece viva na memória popular e continua sendo contada de geração em geração, tornando-se uma das mais divertidas e conhecidas lendas do antigo povoado de Periquito.
Mais do que narrar uma grande confusão, a história preserva um pouco do modo de falar, dos costumes e do espírito bem-humorado dos primeiros habitantes da região, mantendo viva uma tradição que faz parte do patrimônio cultural imaterial de Equador.
Pesquisa, coleta dos relatos, redação e organização: Edivanaldo Dantas da Costa
Nota do autor
As histórias reunidas nesta seção fazem parte da tradição oral do município de Equador/RN e foram preservadas ao longo de gerações por meio da memória de seus moradores. Os textos foram pesquisados, registrados, organizados e redigidos por Edivanaldo Dantas da Costa, buscando preservar a essência dos relatos populares e valorizar o patrimônio cultural imaterial do município.

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