Lugares e histórias do nosso povo: O MISTÉRIO DO CASARÃO DO SÍTIO RIACHO DA VACA.
Durante a década de 1980, eu tinha a rotina de caminhar até o Sítio Riacho da Vaca para buscar leite para minha irmã mais nova. No percurso, passava sempre em frente ao imponente casarão que dominava a paisagem local. Suas paredes robustas, a arquitetura marcante e o majestoso altar despertavam minha imaginação, levando-me a questionar quais histórias e segredos aquele lugar guardava.
A propriedade, que nos anos 1940 foi uma das mais importantes da região, pertencia ao senhor José Pedro de Maria. Naquela época, a fazenda era um centro de intensa atividade econômica, destacando-se pela produção de rapadura e farinha. Atualmente, ainda podem ser vistos vestígios do antigo engenho, enquanto parte significativa do casarão permanece preservada, testemunhando a grandeza de um passado próspero.
Segundo relatos de Dona Luzia Maria da Silva, hoje com 79 anos e neta do antigo proprietário, a fazenda era um lugar movimentado, mas regido por regras rígidas. Entre elas, existia uma que despertava grande curiosidade: era terminantemente proibido entrar em um determinado quarto da casa. O cômodo escondia a entrada para um local secreto — um porão construído para servir de refúgio à família em tempos de ameaça, especialmente durante o período em que o temor dos ataques de cangaceiros ainda fazia parte da realidade do sertão.
O assunto era tratado com absoluto sigilo. A existência do esconderijo raramente era mencionada, pois havia o receio de que sua descoberta pudesse trazer problemas, já que construções desse tipo eram mal vistas e, em determinadas circunstâncias, proibidas pelas autoridades da época.
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